sábado, 29 de dezembro de 2007

Estréia : 'A BÚSSOLA DE OURO'

A 'Bússola de Ouro', que estreou em todo país no último dia 25, prometia ser o novo 'O Senhor dos Anéis', a nova aposta da New Line para substituir a saga da Terra Média. Ficou na promessa.
Baseado no primeiro livro da trilogia "Fronteiras do Universo", do inglês Philip Pullman, 'A Bússola de Ouro' é um filme cheio de conceitos e idéias, que tenta comprimir quase 400 páginas em menos de duas horas. O resultado é apressado e confuso.
Lyra (a estreante Dakota Blue Richards) é uma órfã que vive na Universidade de Oxford num mundo paralelo muito parecido com o nosso, mas com algumas diferenças mágicas.
Todas as pessoas têm a manifestação de sua alma em forma de animais, conhecidas como daemons. Ursos de armadura dominam as terras geladas do Norte. Bruxas comandam os céus. E a Igreja (Magisterium) domina a tudo e a todos.
Nessse cenário fantástico, Lyra parte em busca de seu melhor amigo Roger, que desaparece misteriosamente, assim como outras crianças. Em sua jornada ela enfenta perseguições e grandes aventuras ao lados de amigos, como os gípcios (espécie de ciganos), o urso de armadura Iorek Byrnison, a bruxa Serafina Pekkala, e inimigos como a misteriosa e bela Sra. Colter.
As interpretações são inspiradas, em especial a da menina Dakota Blue Richards, que segura praticamente o filme sozinha; os cenários e figurinos exalam riqueza e detalhismo; os efeitos são primorosos. Mas não conseguem sustentar a obra sozinhos.
A direção e roteiro de
Chris Weitz ('Um Grande Garoto') tira grande parte da graça e personalidade da obra original, além de toda a discussão religiosa que foi suprimida do filme com medo de boicotes da Igreja e fanáticos religiosos. A baixíssima bilheteria americana talvez comprometa a continuidade da saga.
Uma pena.




segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Cão sem Dono

'Cão sem dono', o mais novo filme de Beto Brant, é um achado. Completamente disfarçado de filme pequeno e alternativo, ele se torna grandioso ao retratar com extrema sensibilidade e honestidade as emoções dos personagens que circulam pela tela. Quando começei a assisti-lo, a sensação que tive foi que o diretor colocou diversas 'câmeras escondidas' nas casas de amigos e parentes e se pôs a filmá-los, tal é o 'descompromisso' dos atores em cena, tal é a naturalidade que as ações se desenvolvem. O desespero de Ciro (o personagem principal do filme) com o sumisso da namorada que está doente, ou o abalo silencioso que sofre ao menor sinal de tédio dela, são impressionantes. Assim como a naturalidade com que a relação dos dois cresce, ou a transformação que sofrem com os problemas um do outro.
No final você se dá conta que é uma obra tal como a vida de qualquer pessoa, rica, profunda, difícil, verdadeira, e exatamente por isso, especial.